Os prós e contras da cirurgia para redução de estômago

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A cada ano, milhares de pessoas que passaram a vida lutando contra a balança enfrentam uma cirurgia para redução do estômago no Brasil. A cirurgia bariátrica é apenas o começo de outra luta. Devido à alta complexidade do procedimento, diversos profissionais devem trabalhar em conjunto antes, durante e depois da intervenção.

De acordo com a nutricionista Luciana Coppini, da equipe do Ganep – Grupo de Nutrição Humana, o perfeito entrosamento da equipe multidisciplinar, formada por médico cirurgião, gastroenterologista, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e fonoaudiólogo, entre outros, é parte fundamental no sucesso da cirurgia. Por este motivo, o tema é um dos destaques do II Congresso Brasileiro de Nutrição Integrada-CBNI/Ganepão 2007, que acontece de 14 a 16 de junho de 2007, debatendo este e outros conceitos científicos em torno do tema Nutrição Clínica: da Biologia Molecular à Beira do Leito.

Cirurgia bariátrica

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o Brasil tem cerca de 70 milhões de indivíduos acima do peso, ou o dobro do que havia há três décadas. Destes, 18 milhões são considerados obesos.

Para muitos, a única solução para evitar a obesidade mórbida, considerada pelos médicos doença grave, com risco de morte, é ou será a cirurgia bariátrica. Somente por meio do SUS, foram 1.813 procedimentos em 2003, cerca de 2 mil em 2004 e 2.266 em 2005.

Na rede privada, o crescimento é ainda maior, colocando o Brasil como o segundo país do mundo na realização deste tipo de cirurgia, ficando atrás, apenas, dos Estados Unidos, conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (SBCB).

O procedimento é considerado de médio a alto risco, particularmente em doentes super obesos e com comorbidades cardiorrespiratórias, segundo o dr. Pedro Luiz Bertevello, cirurgião do aparelho digestivo especializado em cirurgia bariátrica.

De acordo com a nutricionista Luciana Coppini, os cuidados devem começar muito antes da cirurgia. Consultas ao médico, nutricionista e psicólogo são fundamentais. “As modificações na alimentação e no estilo de vida do paciente devem começar numa fase bem anterior, para que ele tenha tempo de se habituar à nova rotina que será imposta depois da redução”.

Algumas destas mudanças referem-se aos hábitos alimentares. “O paciente precisará comer devagar, mastigar bem, reduzir os intervalos entre as refeições e saber selecionar os alimentos. Estas mudanças estão diretamente relacionadas ao sucesso da cirurgia”.

Outro problema facilmente contornável com acompanhamento nutricional é a desnutrição. Sob supervisão de nutricionista será possível garantir que todas as necessidades do paciente sejam supridas por meio da alimentação ou suplementos específicos.

“A maneira de pensar também precisa sofrer transformação. O estômago agora estará bastante reduzido e não haverá espaço para tudo aquilo que ele sentir vontade de comer”, lembra dr. Bertevello. “Em muitos casos, anos após a cirurgia o paciente ainda não está acostumado à nova condição física e acaba exagerando na comida”, alerta Luciana. “É necessária muita disciplina e respeito às orientações dos especialistas, pois a cirurgia não é um passe de mágica. Sem os cuidados necessários o paciente pode até mesmo voltar a engordar”.

Por: Luciana Coppini